Apelido

Watertown, MA - 17 de maio de 2006

Ela se chamava Renata. Mas era conhecida como Natu. Ela era sozinha, logo, foi ela mesma que se apelidou. Vivia num lugar escuro e tinha um companheiro apenas. Era o Tempo.

Não tinha com quem brincar, com quem conversar. Assim, falava sozinha o tempo todo. O Tempo respondia, mas ela não conseguia entender o significado. O que ela ouvia era mais ou menos assim. "Renata, hora... Hora..." Mas ela sempre deixava pra lá. Dizia a si mesma: "O que o Tempo quer me dizer com isso? Sei que é hora. É sempre hora. Mas é hora de que?"

A luz que havia era tão fraca que a única cor que se via naquela lugar era o branco. Na verdade, ela via cinza por falta de luz, e todas as outras cores - se é que existiam - eram vistas como preto.

De vez em quando ela perguntava ao Tempo: "O que eu posso fazer de útil Sr. Tempo?" E a resposta vinha sempre a mesma, com pequenas alterações de quando em vez: "Natu, hora..."

Revere, MA - 23 de maio de 2006

Mas Natu, apesar de ser muito paciente, estava ficando cada vez mais triste. Ela sentia que estava perdendo Tempo. Ela achava isso pois as respostas dele estavam cada vez mais distantes. "Natu, hora..." Era assim que ela ouvia. Mas, como sempre, se perguntava, "hora de que?"

Certo dia, já não agüentando mais, ela perguntou ao Tempo depois de receber a mesma resposta de sempre: "Sr. Tempo, por favor, o que siginifica essa resposta que o senhor está me dando? É sempre "Natu hora" pra cá, "Renata hora" pra lá. Me responda, por favor Sr. Tempo, de que é hora? É tempo de fazer o que? Por favor, me explique..." E o Tempo começou a responder, acrescentando algumas palavras a mais na sentença:

"Natu, não é tempo... Natu, ora..." E uma lágrima caiu dos olhos verdes de Natu.

Quando a lágrima atingiu o chão ela olhou para cima e entoou uma canção mental ao Alto. A canção era uma prece, agradecendo a sabedoria do Tempo. Ele sempre dissera a coisa certa a ela, mas ela fixada numa monoidéia não conseguia entender o que o Tempo lhe dizia.

À medida que a prece ia sendo feita, mais e mais lágrimas corriam dos seus olhos esmeralda. Onde essas lágrimas tocavam a vida brotava do chão inerte.

De sua cabeça agora, raios de luz começaram a surgir e agora as cores podiam ser vistas, mas ainda cores mortas, sem emoção. Diferentemente das cores de onde as suas lágrimas tocaram. Cores vivas, fortes, a espelhar o verde de seus olhos.

Aquelas pequenas lágrimas continuaram a fluir, num derrame de emoção incontido, juntamente com o fluxo de luminosidade incessante flutuando acima de sua cabeça. As cores agora já não mais eram pastéis, mas estavam mais e mais se tornando vivas, reluzentes. De repente, sem se aperceber, ela entoa a canção com a voz, e de sua garganta saem tons que modificam todo aquele ambiente silencioso. Agora animais começam a aparecer por todos os lados. Pássaros cantando, leões rugindo, minhocas cavando, peixes pululando no mar de suas lágrimas de alegria infinda...

Luz, Água, Som... "Por que, meu Deus, eu não ouvi o Tempo a mais tempo? Ele me dizia sempre. "Natu ora", mas eu só entendia, Natu "hora". Acho que realmente eu ainda não estava preparada para nascer. Nasci agora Pai e vou, para sempre orar para ti. E a minha oração será sempre e somente para ti. Minha oração será a flora e a fauna que o senhor criou através de mim. Minha oração será a vida que o Senhor fez brotar dentro de mim e para o benefício de todos. Muito obrigado meu Deus. Muito obrigado".

E depois dessa prece, Natu desapareceu. Então, para não esquecermos dela o Tempo sábio como sempre, nos deixou no nome da sua criação, o apelido de Renata e o que ela fez para que todos pudéssemos usufrir da beleza do mundo.

Natureza

Oremos sempre e agradeçamos sempre ao Pai pela oportunidade abençoada de termos Natureza e Vida ao nosso derredor.

Revere, MA - 23 de maio de 2006

Comentários

Bel disse…
Que coisa linda, Mack!
Quw nós possamos sempre rezar ao Pai agradecemos por tudo de lindo que Ele nos dá e que sejamos mais conscientes e 'amigos' de Natu.
Bjos naturais
Anônimo disse…
Mack!
Linda história, a natureza em toda sua beleza e sabedoria nós propociona a benção do Pai. Infelizmente muitos de nós não conseguimos agradecer e respeita seus limites.
Beijos verdes.

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