Que pressão?


Introdução
Sei que o post vai ficar imenso. Muito maior do que eu imagino que vai. Mas vai assim mesmo. Como é algo muito importante pra mim, devo publicar. E, se pelo menos um de vocês o ler inteiro, já terá valido a pena.

Escrevi o texto que se segue a essa introdução há mais de um ano. Mais precisamente comecei e terminei de escrevê-lo em um dia no comecinho de maio de 2005. Deixei-o guardado por esse tempo todo e quase ninguém o leu. Não sabia nem o porquê de tê-lo deixado guardado. Alguns dias atrás descobri.

Meu Pai, Painho - como o chamamos em casa - está lançando seu mais novo filhote. Já é o seu 11º livro. A capa está logo acima. Espero que possam ir ao lançamento do livro que será dia 04 de agosto próximo, uma sexta-feira, a partir das 19h, com uma
pequena palestra e chás, sucos e autógrafos. Será na CDL - Câmara de Dirigente Lojista de Natal (R. Ceará Mirim, 322, Tirol, quase esquina com Prudente de Morais). Já no dia 8 de agosto, o lançamento será em Fortaleza, no Centro Cultural Dragão do Mar. E em São Paulo ficou definido que na primeira semana de setembro acontecerá em Campinas e na segunda semana em outras cidades, como Capital, ABCD e Baixada Santista, mas ainda falta definir data exata e locais. Caso alguém queira mais informações e deseje comprar o livro, por favor, não se acanhem e escrevam para lumelo@interjato.com.br ou para vidaesaber@interjato.com.br

Recomendo muito o livro. Li-o e me surpreendi com muitas coisas. Supreendi-me ainda mais quando, antes de sua publicação Painho me pediu para ser o escritor do prefácio. Quase não aceitei, pois é muita responsabilidade. Mas pensei direitinho e não poderia deixar de escrever em algo que é tão importante para mim. Até porque, sem nem saber, já tinha falado sobre o assunto mais de um ano antes de saber que iria escrever um prefácio... Coincidências da vida. Será?

O texto de um ano atrás

Pressão e Depressão

Nas minhas navegadas pela web me deparei com este artigo na versão em português do Deutsche Welle, jornal alemão, de onde extraio os seguintes trechos:

"As pressões no trabalho e na família, o medo do desemprego e a falta de perspectivas deixam cada vez mais cidadãos europeus doentes. [...] 27% da população sofre das 12 principais moléstias psíquicas e neurológicas, como dependência de álcool e medicamentos, distúrbios bipolares (antes denominados psicose maníaco-depressiva), esquizofrenia, depressões e ataques de pânico."

Esta semana estava na universidade estudando quando reencontrei uma colega que quase sempre estuda na mesma sala que eu. É uma sala de auto-aprendizado, onde cada um, na sua própria matéria, segue um roteiro específico para cobrir toda a disciplina a ser estudada. Essa colega de sala está estudando nutrição, mas nunca tínhamos falado sobre o assunto antes. Só conversávamos amenidades, até mesmo porque com o pouco tempo que temos, precisamos ficar mais concentrados no estudo que nas conversas.

Dessa vez, entretanto, mostrei a ela uma parte interessante na matéria que estava estudando (Literatura Americana) e depois de algum tempo ela me mostrou uma cousa que achou interessante na dela. Transcreverei aqui o texto que tive a oportunidade de copiar do seu livro, Nutrition Concepts and Controversies (grifos nossos):

"A Vitamina D é, potencialmente, a mais tóxica dentre todas as vitaminas. Sua ingestão crônica além dos limites aceitáveis pode ser diretamente tóxica para os ossos, rins, cérebro, nervos, coração e artérias. Os sintomas de intoxicação incluem perda de apetite, náusea, vômitos, aumento excessivo de vontade de urinar e de beber água. Além disso, uma severa forma de depressão psicológica pode resultar dos efeitos da vitamina D no sistema nervoso central."

As informações dadas neste trecho do livro foram extraídas de um estudo americano chamado "Dietary Reference Intakes for Calcium, Phosphorus, Magnesium, Vitamin D, and Fluoride (1997)" que pode ser acessado em sua íntegra clicando-se no link acima.

Sendo a vitamina D considerada a vitamina do sol, por poder ser produzida pelo nosso corpo com exposição moderada ao sol, essa nova informação acerca de ela poder ser indutora da depressão me chamou muito a atenção. Ainda mais porque a depressão ocorre muito mais freqüentemente em locais mais escuros, mais sombrios. Esses dois conhecimentos parecem se sontradizer por si sós.

E, de fato, em minhas pesquisas na internet, quando coloquei as expressões "vitamina D" e "depressão" para busca, sempre o contrário foi dito. Ou seja, a Vitamina D está sempre (ou quase sempre) vinculada ao tratamento da depressão e em nenhum local que pude pesquisar, encontrei referência ao que o estudo acima afirma.

Entretanto, como me parece que se ter excesso de vitamina D não é tão comum, pode ser realmente que isso aconteça, mas que tenha sido pouco relatado pela pouca incidência de casos de intoxicação pela vitamina.

Essa intoxicação não se dá com muita freqüência pois os alimentos em que se encontram as maiores quantidades de vitamina D são salmão, camarão e leite (derivados). Como a nossa dieta é sempre muito pobre (não em vitaminas mas em dinheiro mesmo) não podemos comprar muito salmão nem muito camarão... E leite está cada vez mais caro, assim, dificilmente corremos risco de cairmos em depressão por comermos vitamina D demais. Na verdade, é mais fácil entrar em depressão por estar-se preocupado em não ter dinheiro para se comprar essas comidas, tanto hoje como no futuro.

E isso é exatamente o que diz o artigo do Deutsche Welle. Cada vez mais as pessoas estão ficando muito preocupadas com o amanhã, com as incertezas de seu emprego, das condições financeiras de seus países e então as doenças psíquicas e psicossomáticas, dentre elas a depressão, atacam com mais força, com mais intensidade.

Hoje mais de 120 milhões de europeus sofrem de doenças psíquicas e/ou psicossomáticas, o que consome cerca de 600 bilhões de euros (quase 2 TRILHÕES de reais) por ano dos sistemas públicos de saúde.

Minhas perguntas são: Onde está o problema a ser resolvido? É o problema do emprego? É o problema do dinheiro? É o problema de saúde? É comer mais vitamina ou menos vitamina? Tomar mais sol ou menos sol? Afinal, qual é mesmo o problema?

Mais uma vez, apesar de a resposta parecer estar à nossa frente, a olhos vistos, não conseguimos enxergá-la. É que ela está tão perto que não conseguimos identificar qual é. Veja a figura abaixo. O que é isso?

Naturalmente que muitos de nós já conseguiremos identificar de cara o que é, mas tenho certeza que muito outros só conseguirão mesmo identificar se se afastarem do monitor para poder, mesmo de mais longe, enxergar melhor (se não conseguirem identificar o que é, pode ser que os óculos já estejam vencidos...)

Isso nos leva à conclusão que, a solução para enxergar melhor um problema não é apenas se debruçar sobre ele, mas é também se afastar um pouco, às vezes bastante, para "vê-lo de longe".

O problema com a depressão é exatamente esse. Estamos perto demais dela e aí acabamos pensando que o problema está na comida, no estresse que a vida nos traz, na incerteza do futuro, no dinheiro que não temos ou que não teremos... Esses são os problemas que nós criamos, ou seja não são os problemas reais.

O problema real, quando nos afastamos o suficiente para enxergá-lo é que ainda somos seres egoístas ao extremo. Tudo tem que sempre se adequar a mim. Se o futuro não for como eu quero ele não é bom. Se o salário que recebo não der para fazer as coisas que eu preciso isso me deixa inseguro, intranqüilo. Se o meu amor não correponde ao que eu espero, eu me decepciono.

Percebem como em todas essa últimas frases o elemento em comum é o EU? Temos sempre o eu em primeiro lugar e depois o restante do mundo. Isso é o que se chama de egocentrismo que nada mais é que uma deturpação do nosso senso de unidade com o universo. Como só enxergamos o mundo a partir dos nossos próprios olhos, achamos que o nosso ponto de vista é o mais importante, é o mais correto. E quando isso não acontece, é um deus nos acuda.

Assim, o que falta ao homem para resolver esses problemas psicológicos e psicossomáticos, não é religião, não é filosofia, nem muito menos ciência. Isso categoricamente, pois hoje em dia vemos as pessoas desesperadas em busca de algo em que se segurar, porque já perderam as esperanças em si mesmas.

Muitas procuram a solução na ciência. Procuram remédios milagrosos, anti-depressivos maravilhosos, prozacs e cia para resolver todos os problemas... Não resolvem nada. Só protelam soluções iludindo a mente com mentiras químicas e prejudicando o organismo, deixando-o dependente de drogas cada vez mais potentes...

Trocam de filosofia e religião, pois se essa filosofia ou religião não resolve o meu problema eu tenho é que buscar outra que me aceite e entenda como sou. Talvez até montar a minha própria interpretação, para moldar as idéias ao que eu acho e não para tentar se modificar para se encaixar no bom senso das palavras e atitudes dos grandes sábios da humanidade.

O problema da humanidade não é um problema da humanidade, é o problema do homem. É o problema de cada um de nós. Buscamos sempre as respostas fora de nós. Queremos soluções mágicas, rápidas e infalíveis. Fazer a coisa certa é o que é mágico, rápido e infalível.

Alguém aí pode perguntar: "Mas como isso pode ser verdade? Quando eu começo a fazer o certo as coisas não andam mais rápidas!!!"

Vamos ver. Se eu continuo fazendo a coisa errada por dez anos, quando eu finalmente começar a fazer a coisa certa, o final feliz vai estar dez anos mais na frente. Se eu começar a fazer a coisa certa hoje, o final feliz vai ser o mais rápido que ele pode ser. E se eu já comecei a fazer a coisa certa desde um bom tempo atrás, cada vez mais o final feliz está se aproximando...

Assim, fazer a coisa certa[1] é sempre o que nos leva ao final feliz o mais rápido possível. Entretanto achamos que não é rápido o suficiente pois EU queria que as coisas acontecessem no tempo que EU determino. EU queria que a mágica fosse mágica para MIM e não que a mágica do nascer do sol, por exemplo, já não seja mágica suficiente...

Sei que pode parecer repetição, mas um sábio da antiguidade já nos disse que o melhor caminho para me tornar uma pessoa melhor, mais feliz, mais completa, e com isso, menos egoísta, é "conhece-te a ti mesmo".

Conhecendo-nos a nós mesmos, poderemos cada vez mais nos livrarmos do peso que nós somos para nós mesmos e transformarmos esse sentimento egóico de estarmos no centro de tudo em um sentimento de confraternização, de união, de fraternidade, de alegria.

Alegria, isso sim nos ajuda imensamente a sair mais facilmente dos estados depressivos que muitas vezes nos encontramos.

Alegremo-nos portanto. Não busquemos fugas, busquemos soluções. Meditemos. Oremos. Pensemos. Mas principalmente, ajamos no bem. Façamos aos outros o que gostaríamos que os outros nos fizessem. Pratiquemos a compaixão e nos alegremos quando o outro receber um benefício.

Assim, fazendo o bem pelo bem, a depressão não encontrará espaço para se instalar. Como diz um provérbio chinês, "Não podemos evitar que os pássaros da tristeza voem sobre a nossa cabeça, mas podemos e devemos evitar que aí eles façam o seu ninho".

Construamos o ninho da alegria em nossa cabeça, pois assim os pássaros da felicidade encontrarão um porto seguro para descansarem e então nós é que nos deliciaremos com a luz que eles derramam por onde passam.



[1] Em um comentário de Jomar Morais ao texto original ele me fez uma pergunta que deve perpassar a cabeça de todos nós, um momento ou outro em nossa vidas. E, para outros, felizmente é uma preocupação constante. O que é fazer a coisa certa? É uma pergunta filosófica que, como todas elas, podem ser respondidas com uma simples frase ou com milhares de linhas escritas ou pensadas por milhares de pensadores e que não tem uma resposta pronta. Desse modo, minha resposta curta, mas que também não resolve o problema (e que pretendo voltar a dar uma resposta mais longa depois em vários outros textos) é que a coisa certa, sem dúvida possível para mim passa pelo Amor e pelo Conhecimento de Si Mesmo. Mas, como falei, essas duas simples expressões não resolvem o problema por si sós. Têm que ser praticadas. E essa é a chave.



Conclusão
Sei que já escrevi demais. Mas ainda não cansei e preciso dizer mais uma coisinha.

Depois de escrito e terminado o livro, meu pai me falou que colocou um texto meu na íntegra dentro dele. Estava eu um dia sentado ao computador e recebi um e-mail da esposa delei pedindo para eu ajudá-la a compreender melhor acerca da Fé e da Esperança para uma mini palestra que ela iria fazer. Disse a ela que iria escrever algo para ela de resposta. Depois de um tempo, pedi a painho para ler esse e-mail e me dizer o que achava do que eu tinha escrito. Ele falou que gostou. E foi exatamente esse e-mail que ele reproduziu no livro.

Eu não sabia que ele estava escrevendo esse livro na época. Nem muito menos que teria algo sobre fé e esperança. Uma outra coincidência. Será?

Não sei se vocês poderão comprar o livro. Mas, mais uma vez, o livro é muito bom e vale a pena demais. Ajuda-nos a nos compreendermos melhor e ajuda-nos também a poder ajudar às outras pessoas. Façam uma forcinha para obtê-lo. Vale a alegria.

Um imenso e alegre beijo em todos. Sem pressão. Nem depressão.

Comentários

Li disse…
Tatá...
Bom, nesse post não tem nenhuma, nem o livro nem seu artigo...
Que é maravilhoso... Como vc sabe, usei a informação que vc me passou dele num trabalho que fiz...

parabéns pelo post

Beijão
Li
Anônimo disse…
A cura da depressão está dentro de nós. Não é o mundo que nos faz tristes, desesperançosos..são sim as nossas atitudes que refletem na nossa saúde, no nosso dia-a-dia. Pensar positivo já é um grande passo para curar o corpo e o espírito doentes.
Acreditar que o amanhã vai ser melhor, buscar uma solucao para os problemas, conversar com alguem que te ama sobre o que voce está sentindo, rir, tomar banho de sol..sao algumas das "armas" contra a depressão, mas a mais forte de todas é a fé. Acreditar em Deus, praticar a caridade, amar a si mesmo. Viver a vida da melhor maneira possível sempre.
Ibsen Vila disse…
Olá Mackenzie.

Quarta-feira passada, fiquei muito feliz em ver o poster do lançamento do livro de seu pai lá na Federação Espírita. Quando ainda morava aí em Boston, tive a oportunidade de ler "Viver Ainda é a Melhor Saída". Sua leitura me ajudou a parar de fumar e lembro com muito carinho que numa visita que Jacob nos fez posteriormente, pude agradecer o autor pessoalmente por isso.

Recentemente ajudei minha mãe com sua monografia que tratava do tema depressão na terceira idade e sua relação com atividades ocupacionais. Ela fez uma pesquisa com idosos que frequentam centros de convivência e constatou realmente uma forte ligação entre depressão e ocupação. Poranto, na minha singela opinião, duas palavras-chaves contra a depressão são trabalho e oração.

Gosto muito do seu blog.

Grande abraço.
Jacob Melo disse…
Oi filho:
Deus te abençoe, multiplicadamente, exponencialmente... e sempre mais!
Acabo de ler tuas considerações sobre o livro. Sabe, nem eu pensava que o livro estivesse tão bom assim! hehehe.
Obrigadão por tudo.
Está chegando a hora do lançamento, mas ummonte de gente, de outros Estados e Paízes, já encomendaram seus livros, inclusive pagando antecipadamente. Parece que as pessoas querem mesmo conhecer caminhos seguros para vencer a depressão.
Um super beijo, cheio de todo meu amor e carinho.

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