Ser bonzinho

Reuters - Thief compensates victim for stolen bike(Inglês)

Um tempo atrás, creio que por volta de uns nove a dez anos, fui assaltado em Natal. Na verdade não fui eu pessoalmente, mas o meu carro foi aberto e levaram algumas coisas de dentro.

Foi realmente uma surpresa ao chegar no carro depois de uma tranqüila noite de sono e perceber que algumas coisas tinham desaparecido. Na verdade, hoje passado tanto tempo nem tenho mais certeza do que foi que levaram. Mas não me esqueci do assalto, por causa de um fato insólito, pelo menos para mim na época. O ladrão não quebrou nada no carro.

É, ele não arrebentou a porta nem quebrou vidro para poder roubar coisas do carro. O único dano que fez foi cortar a borracha que segurava um dos vidros, retirou o vidro, fez a limpeza e depois, muito educadamente, colocou o vidro dentro do carro, no banco de trás junto com a borracha, que naturalmente não mais servia de nada.

Lembro-me muito de um comentário do meu irmão: "Sabe se eu fosse ladrão, eu teria feito exatamente o que esse aí fez. Pelo menos ele não fez o mal só por fazer o mal. Como ele não ia ter uso para o vidro, porque não deixá-lo inteiro? Esse cara foi até bonzinho."

Na Alemanha um ladrão, após roubar uma bicicleta ficou com remorso quando leu que a polícia estava atrás de informações sobre o roubo (tinha colocado anúncio em jornal local). Então ele foi, escreveu uma carta anônima endereçada ao assaltado pedindo desculpas e enviando dinheiro suficiente para comprar uma bicicleta igual à que ele tinha roubado. Ela valia mais ou menos 500 dólares (cerca de R$1100).

Na carta ele ainda contou que sentia muito, mas ele não lembrava onde tinha deixado a bicicleta. O policial que contou a história à imrensa comentou: "Pode ser que ele seja realmente uma pessoa completamente honesta que percebeu o terrível erro que estava cometendo. A gente ainda encontra gente assim por aí!" (He may just have been a thoroughly honest person who saw the error of his ways. You still get them you know.)

Nada justifica o erro, mas quando aprendemos a ser mais indulgentes com os erros dos outros, aprendemos também a ver a vida de outra forma.

No caso da pessoa que assaltou o meu carro, ele não está correto em roubar, mas eu tive que repensar e me modificar para aprender a ser um pouco mais responsável e a não deixar coisas de valor à vista em um carro que iria dormir do lado de fora da casa.

Aprendi a lição. Não dessa vez entretanto, pois outro dia quando ainda morava em Natal, deixei a porta aberta inadverdidamente e outro ladrão levou outra coisa de dentro do carro novamente. Mas essa foi a última vez? Não. :D Ainda estou no meu processo de aprendizado.

Bom, então, aprendam com o meu erro. Não deixem coisa de valor à mostra para não estimularmos nos outros a vontade de furtar. Façamos a nossa parte. Ela é sempre a que mais conta.

Um abraço furtado e ligeiro em todos.

Comentários

Anônimo disse…
oi filho.........
a ocasiao faz o ladrao, vamos em frente. minha mae dizia isso muito.
beijos
bom comentario
Mainha

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