Reuters.com - "Madre Teresa" Mexicana ajuda imigrantes amputados

Reuters.com - "Madre Teresa" Mexicana ajuda imigrantes amputados (em inglês)

Existem coisas que nunca vão mudar.

Infelizmente algumas pessoas usam essa frase para pararem no tempo. A utilizam com desculpa para continuarem cometendo os mesmos erros e nunca se melhorarem. Outras para se manterem em uma posição pessimista com relação ao que vêem de ruim mundo afora. E aí começam a citar situações que vêem pelas ruas, nas televisões, nos rádios, em revistas, reportagens, etc.

Mas existem as pessoas que ao verem essas situações negativas não ficam parados.

Hoje estava assistindo televisão quando, em um intervalo comercial, uma propagando me chamou atenção. Não falava sobre um produto específico, mas chamava a atenção do telespectador para fazer a sua parte na sociedade, para não ficar parado, para agir.

A propaganda era assim. Uma lata de lixo na rua, e ao seu lado, no chão, um papel amassado. Param duas pessoas que vêm passando e começam a criticar a pessoa que não jogou o lixo onde deveria ser jogado. Aí vão passando outras pessoas e se juntando à discussão. Juntam-se umas dez pessoas e continuam discutindo que as pessoas não deviam jogar papel no chão, que deveriam ser mais civilizados, mais limpos... Tudo isso em torno do papel no chão e da lixeira. Aí vem mais um em direção ao grupo. Passa em frente ao grupo, se abaixa, pega o papel, joga na lixeira e segue o seu caminho. Todos os outros ficam olhando para ele. Termina a propaganda.

Olga Sanchez Martinez. 47 anos. Mexicana. Ela é a mulher do título do post. Tem câncer de intestino há mais 14 anos. 14 anos atrás ela começou a parar carros nas ruas do México para pedir dinehiro para ajudar os imigrantes amputados. Começou a fazer isso após Deus ter respondido suas preces para reduzir as dores que a doença a impinge. Ela fala que, desde que abriu seu abrigo para os amputados, oito anos atrás, mais de 5000 já foram atendidos por seu abrigo.

O México é a porta mais 'fácil' de entrada ilegal para os Estados Unidos, por onde inúmeros pobres cidadãos da América Central e do Sul tentam passara para chegar à 'Terra das oportunidades'. Encontrar um trabalho que os tirem da pobreza e os dêem alguma dignidade. O problema, é que apenas alguns conseguem. Muitos, que tentam ir em trens lotados, cansados da viagem, caem dos vagões e se machucam. Muitos se machucam seriamente. É onde Olga entra com a ajuda.

Apesar da escassez de apoio, ela sempre consegue, para os amputados, sangue e medicamentos enquanto ainda estão no hospital. Quando já estão bons suficiente para de lá sair, ela os leva para o seu abrigo. Trabalha 18 horas diárias para que tudo saia como ela aspira. E realiza tudo isso com um câncer em estágio tão avançado, que alguns médicos dizem que ela já devia estar morta.

"Eu comecei visitando os doentes e isso foi como uma pílula que aliviou todas as minhas dores" - diz Olga. Meu trabalho é o que me nutre, complementa.

Ganhou, em Janeiro, o Primeiro Prêmio de Direitos Humanos dado pelo México, entregue pelo presidente do país, Vicente Fox. Os 22.000 dólares do prêmio a irão ajudar a construir uma casa maior, mas não a permitirão terminar a obra. A nova casa irá ajudar a comportar o número cada vez maior de pessoas necessitadas de ajuda. Mas ela irá continuar ajudando até que uma solução para esse problema de imigração possa ser definitivamente resolvido, entre os EUA e os imigrantes que desejam obter uma vida melhor.

"Eu apenas obedeço a Deus", diz Olga, "e o dia em que irei descansar ainda está longe de chegar".

Olga Martinez não está apenas olhando o lixo fora da lata. Ela é uma das que pega o papel e joga no cesto. E ela, parafraseando a história, deveria ser a que não devia fazer, pois não deveria se abaixar para apanhar o papel.

Existem coisas que nunca vão mudar.

Felizmente existem pessoas que usam essa frase para não deixar de acreditar na capacidade do ser humano de mudar, de mudar para melhor, sempre. Outras usam essa frase para dizer que o que não muda é perfeito, logo, como não são perfeitas, podem e devem mudar. E aí, prestam atenção no mundo, nas suas dificuldades, nas suas situações degradantes e não ficam só olhando, assintindo. Agem.

Nós fazemos parte dos que olham o papel no chão e falam ou dos poucos do grupo que apanham o papel e jogam no cesto?

Comentários

Bel disse…
Mack, acho que queria fazer sempre parte do segundo grupo, sempre e às vezes o faço, mas participo também do primeiro grupo. Na minha opinião, isso tudo depende muito da situação que a pessoa se encontre, do seu estado de espírito.....é isso.
Bjão.

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