quinta-feira, 27 de maio de 2010

Parto

Quem verdadeiramente sabe se está indo ou vindo? Vendo ouvindo?

Onde verdadeiramente deixamos ou levamos nossas emoções? E nossas vidas? Parte delas?

Parto, por exemplo, é uma palavra que indica tanto chegada quanto saída.

E eu, quando nela falo, qual sentido que a ela dou?

Pedaços que ficam pra trás ou que ficam conosco são apenas partes do que continuamos a ser. Pois, com ou sem eles, continuamos a nos construir.

Pois, mesmo quando nos achamos completos, parte de nós sabe que sempre falta um pedaço.

Aquele pedaço de quem sentimos saudades. Aquele de quem já sentimos saudades. Aquele de quem já sentimos saudades, mas não mais.

Mas mais importante, aquele de que nem sequer sabemos o porquê, mas de quem já sentimos saudades... mesmo que ainda nem o conheçamos.

Esculturas de Bruno Catalano
Parto

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Atravessando a porta


Preciso pedir perdão aos que não entendem nem o francês nem o inglês, mas tive necessidade de postar esse vídeo. Mas, mesmo que você não entenda uma palavra sequer, vale a pena assistir pois a reflexão sobre o tema em que ele toca nos toca a todos.

Será que nós, algum dia, já tivemos medo de atravessar a porta como Gary, o personagem do filme?

Um abraço sem temor em todos.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Antiga língua tribal entra em extinção pois sua última falante morre

Boa Sr, última falante da língua BO.
Foto retirada do site Guardian.uk
Antiga língua tribal entra em extinção pois sua última falante morre - World - Guardian.uk

É triste quando a gente encontra situações assim no mundo.

De acordo com o site do jornal Guardian da Inglaterra, a última falante nativa e fluente no idioma Bo das Ilhas Andamão morreu no final de Janeiro e com ela, o idioma se tornou extinto. Me peguei pensando sobre a vida quando li essa reportagem.

Ainda hoje eu não consigo me definir sem incluir a língua que eu falo na minha definição pessoal. As expressões que utilizo, o modo de falar, o sotaque... Tudo isso faz parte de quem sou. Ou talvez melhor, de quem estou...

Entretanto, ao mesmo tempo que pensava nisso, pensei que quando a última pessoa que fala uma língua, qualquer que seja ela, se vai, aquele sotaque, aquelas expressões, o modo de falar, vai com ela. Assim, por que será que é tão importante a língua que parte?

É interessante pensar em o quanto somos apegados às coisas que temos e que achamos que somos. No entanto, se não fosse pela nossa imensa capacidade de adaptação, de mudança, de transformação, não mais estaríamos aqui. É desse modo que percebemos, portanto, que para que uma língua permaneça conosco ela precisa continuar viva, se adaptando, crescendo, mutando, mudando... Senão, vai virar peça de história, de museu.

Assim, percebo que a perda da língua, na verdade é ruim pois perdemos um pouco da diversidade cultural humana. No entanto, podemos também perceber que é essa mesma diversidade cultural e linguística que muitas vezes nos separa mais que nos une. Basta ver algumas das grandes guerras culturais que temos pelo mundo para observarmos isso.

O problema, acabo pensando, então, não é a língua ou a diversidade delas, mas a nossa impertinente defesa de nossos costumes, culturas e bairrismos que nos separam mais que nos unem. No dia em que verdadeiramente conseguirmos sentir o outro - seja ele quem seja, fale ele que língua fale, vista-se de qualquer modo, seja dessa ou daquela cultura - como alguém que é exatamente como eu, que bebe, come, dorme e acorda, que sonha e trabalha, faz xixi e cocô, teremos uma chance maior de minimizar a diferença que achamos existir entre eu e ele.

Uma língua pode ser uma grande barreira, mas ao mesmo tempo pode ser uma grande oportunidade de nos aproximarmos do outro, de conhecê-lo mais e até, de conhecermo-nos mais e melhor. Digo isso pois várias expressões que aprendemos de outras línguas podem nos fazer pensar de maneira diferente e abrir a nossa mente para uma maior inclusão no mundo do outro, nos trazendo mais para o nosso mundo íntimo. Dessa mistura, portanto, podem sair diversas novas compreensões e daí surge a mudança.

Assim é que falo essa situação é muito triste. Não apenas a extinção de um idioma, mas morte de mais um ser humano que poderia ser capaz de nos ensinar muito mais do que uma língua é capaz de nos mostrar. Ela certamente ensinou muito a muita gente e, nesse momento, continua a ensinar. 

Pelo menos a esse que escreve nesse momento.

Até logo Boa Sr. E muito obrigado pela lição que me deixou.

Um abraço linguístico em todos.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Garfo de Plástico

"É impressionante nossa sociedade ter atingido o ponto onde o esforço necessário para extrair petróleo do solo, enviá-lo para a refinaria, transformá-lo em plástico, moldá-lo apropriadamente, enviá-lo para uma loja, comprá-lo e trazê-lo para nossa casa..."


"... é considerado ser um esforço menor do que o esforço de lavar o garfo quando nós terminamos de usá-lo."

Não sei de quem é esse pensamento, mas é algo sobre o que realmente deveríamos refletir seriamente!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Deprimido e confuso? Deixe o sol brilhar em sua vida.

Nós estamos sempre em busca de algo milagroso que nos salve de nossos problemas, sejam eles quais sejam. Muitas vezes me pego pensando que o problema de queremos o milagre não é que realmente queremos o milagre, mas que queremos que o nosso desejo se realize da maneira e na hora que queremos e não o milagre em si.

Até hoje não conheço nenhum cientista que tenha falado que conseguiria criar um outro Sol. Será, então, que o Sol não é um tipo de milagre? Para mim é.

E, mais uma vez, outro estudo, desta vez feito com mais de 14000 (isso mesmo, catorze mil pessoas) nos Estados Unidos aponta para o fato de que o Sol não apenas ajuda no alívio da depressão, mas que, também, quando pessoas depressivas são pouco expostas à luz do Sol, suas funções cognitivas ficam reduzidas. Nas palavras do próprio estudo, "We found that among participants with depression, low exposure to sunlight was associated with a significantly higher predicted probability of cognitive impairment." [Descobrimos que entre os participantes com depressão, estar pouco exposto à luz solar está diretamente associado com uma alta probabilidade de falha na cognição, no aprendizado].

Vale ressaltar, entretanto, que esse estudo não mostrou grandes alterações no aprendizado de pessoas que não sofrem de depressão.

Muitas das soluções para os nossos problemas já estão aí à nossa disposição, mas nós por vivermos cada vez mais paranóicos e com medo do mundo lá fora, acabamos perdendo todos os milagres que recebemos todos os dias daquele a quem chamamos carinhosamente de Nosso Pai.

Um abraço iluminado em todos.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Projeção em 3D na Alemanha

Olá! Faz um tempo que não via algo na net que eu ficasse tão interessado de poder ver ao vivo. Espero poder apreciar de corpo presente algum dia.

Esse vídeo feito na Alemanha mostra como seria se um prédio tivesse vida própria. Não vou fazer muitos comentários pois nada melhor do que ver para saber do que é que os criadores estão falando. Eu achei impressionante.



Um grande abraço virtual, em 3D, a todos.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Relembrando Apollo 11


Remembering Apollo 11 - The Big Picture - Boston.com (in English)

40 anos atrás, dia 16 de Julho de 1969, os primeiros seres humanos a pisarem na Lua eram catapultados no espaço. A nave era a Apollo 11 e os seus astronautas se chamavam Neil Armstrong - o primeiro homem a pisar na lua -, Michael Collins e Edwin "Buzz" Aldrin Jr.

Na imagem acima vemos o momento de saída do módulo lunar da superfície lunar em direção à espaçonave que ficou "estacionada" na órbita da Lua. Ao ver o módulo Águia (Eagle module) se aproximando da nava para poderem retornar à Terra, o astronauta Michael Collins (que estava em órbita da Lua) relembra quando tirou a fotografia:

Aos poucos eles se aproximavam e cresciam na minha visão, firmes, como se andassem em trilhos e eu pensei 'Que visão maravilhosa' e precisa ser registrada. Quando procurava minha câmera Hasselblad, de repente a Terra apareceu no horizonte, diretamente atrás da Águia. Eu não poderia ter ensaiado nada melhor, mas o alinhamento não fui eu que fiz, foi apenas uma feliz coincidência. Eu suspeito que muitas das boas fotografias acontecem assim com acontecimentos serendipidosos que estão fora do controle do fotógrafo. De qualquer modo, à medida que eu clicava, eu notei que pela primeira vez, em um único quadro, apareceram três bilhões de terráqueos, dois exploradores e uma Lua. O fotógrafo, claro, estava discretamente fora da foto.

Como os antigos navegantes (Cristóvão Colombo, por exemplo) que saíam de seus portos e não sabiam se iriam voltar sãos e salvos da viagem, mas tinham em suas mentes e corações a determinação, tenacidade e coragem de enfrentar os seus medos e suas incertezas em busca de algo que sabiam podia transformar o mundo, estes viajantes mudaram o nosso modo de perceber o mundo.

Que possamos ter em nossas vidas íntimas pelo menos um pouco dessa vontade ativa de buscar construir algo melhor dentro de nós. Só assim poderemos, como eles, desbravar novos caminhos íntimos, edificando homens e mulheres melhores para, juntos, formarmos um mundo melhor e mais bonito, com todos aparecendo na mesma foto, como a grande família que somos.

Um abraço do tamanho do que a foto acima representa.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Kahdynn Mendes

Faz muito tempo que não posto algo no Pensações. Hoje, ao receber a notícia que a minha irmã recebeu uma menção honrosa por uma fotografia em um concurso em Natal/RN, decidi publicar a foto e o blog de onde a reportagem saiu.

http://grandeponto.blogspot.com/2009/06/resultado-do-concurso-fotografico.html

Sinto-me muito honrado por ter nascido na família que tenho. Seis irmãos, três homens e três mulheres que dentro de suas diferenças, como nos seis dedos de uma mão, têm a sua função. Uns aprendem com os outros e todos crescem. Hoje os dedos não estão todos juntos fisicamente, mas cada um, onde quer que estejam, tenho a certeza, carregam dentro de si a marca indelével do amor que foi (e ainda está sendo) construído em meio a dores e alegrias (essa última em muito maior quantidade).

Dyn, fico muito feliz de poder dizer, a quem quer que seja que sou seu irmão.

Parabéns pela arte sempre presente em sua vida e por usá-la como motivo para colocar beleza e sorriso nos lábios de todos que a conhecem e de todos que te conhecem.

Um abraço apertado, pena que ainda apartado, mas cheio de amor.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Disfarce e Auto-conhecimento

Recebi esta história de um amigo hoje e achei muito interessante pelas inúmeras reflexões que ela nos gera. Não vou copiá-la, já que você a podem ler no link abaixo. Sugiro que a leiam para poderem compreender melhor as reflexões que farei logo depois.

Pastor se disfarça de mendigo para dar "lição" a fiéis

Para que o texto não fique completamente sem sentido se você não leu a história acima, aqui está um pequeniníssimo resumo. O Reverendo Derek Rigby - na Irlanda do Norte - se disfarçou de mendigo e entrou em sua igreja assim fantasiado para ver qual a seria a reação dos seus paroquianos ao se depararem com essa situação.

É muito valiosa essa idéia de passarmos por situações inusitadas para podermos perceber como realmente somos, sem máscaras e sem subterfúgios. É em situações assim que podemos verdadeiramente nos conhecer melhor.

Um sábio da antiguidade nos deixou registrado que a melhor maneira de nos melhorarmos é aplicarmos o famoso "Conhece-te a ti mesmo". Então, fica a pergunta: como é que podemos verdadeiramente fazer isso? Como nos conhecermos mais e melhor?

Analisarmos nossas ações e reações diárias às mais variadas situações que vivemos no dia-a-dia nos dá uma boa medida de o quanto eu ainda preciso melhorar. E isso não é com relação ao que essa ou aquela pessoa acha que eu devo melhorar, mas em relação a mim mesmo. Por exemplo: se eu estou em dúvida se uma ação que eu tomei é prejudicial ou não, pensemos no que nós acharíamos se uma outra pessoa - alguém com quem eu não me dou bem, por exemplo - fizesse a mesma coisa. Será que eu a aprovaria? Ou será que a desaprovaria? Será que eu aprovaria, mas com reservas? Então, porque eu estou fazendo ou não estou fazendo tal coisa?

Esse é um dos métodos mais seguros para que possamos aprender um pouco mais de nós mesmos - convivendo com os outros e aprendendo com todos eles a como melhor nos relacionarmos conosco mesmos e com eles, já que se eles são os outros para mim, preciso lembrar sempre que eu faço parte dos outros para eles.

No dia em que verdadeiramente começarmos a olhar o mundo além dos nossos próprios umbigos, observando nossa vida de um ponto de vista menos egocêntrico, certamente passaremos a viver mais e mais felizes também.

Que bom que tem tanta gente pronta a nos ajudar a crescer, nos testando a cada momento. Testando a nossa paciência, a nossa resignação, a nossa dedicação a uma causa nobre. E melhor ainda se nestes testes diários a que somos submetidos nós estamos aprendendo mais e mais a nos conhecermos melhor e, assim, pudermos nos transformar em mulheres e homens mais nobres e mais dignos da infinita Vida de Amor que o Pai nos deu.

Ao reverendo que provocou essas reflexões, só posso desejar que Deus o abençoe ainda mais, pois é com gente assim que podemos mais e mais aprendermos a nos modificar para melhor e, como conseqüência, transformar o mundo num lugar cada vez mais agradável e feliz de se viver.

Um grande e amoroso abraço em todos.